Entrevista: Alexandre Nagado


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Com exclusividade para o site Tokufriends apresentamos uma entrevista bem interessante com uma das figuras mais conhecidas do período “Herói” por trazer novidades sobre nossas séries preferidas. Conheçam Alexandre Nagado!
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Tokufriends – Nome completo, idade e formação profissional?
NagadoAlexandre Nagado, 35 anos. Uma curiosidade: nasci em 8 de março, o mesmo dia em que nasceu Hiroshi Tsuburaya (o falecido protagonista de Sheider), Mitsuko Horie (cantora de anime songs) e Rika Kishida (a White Swan de Jetman). Quanto à formação, não fiz curso universitário. Estudei desenho com Ismael dos Santos, do Núcleo de Arte, mas era um curso livre. Trabalho profissionalmente com desenho desde os 17 anos e com redação desde os 22.
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Tokufriends – Você foi como a maioria dos tokufans, curtindo o boom dos tokus na tv, na época da Manchete, Globo e Bandeirantes?
NagadoNa verdade, não foi bem assim. Cresci na década de 1970, assistindo Ultraman, Ultra Seven, Robô Gigante, Vingadores do Espaço e outros. O boom que aconteceu na época da Manchete apenas reacendeu um interesse antigo. E eu queria deixar algo bem claro: por mais que eu goste de tokusatsu, não me considero um “Tokufan”, um fã do gênero ou fã de nada em especial. tem muitas coisas que gosto: mangás, quadrinhos em geral, Beatles, Star Trek, Friends, J-Pop, Chage & Aska (dupla de J-Pop), Rock Brasileiro dos anos 80, entre outras coisas. mas não coleciono compulsivamente nada em especial. Não tenho séries completas, discografias, videotecas nem bonequinhos de tudo quanto é personagem. Tenho itens aleatórios de várias coisas, mas não me dedico religiosamente a colecionar nada. Sou e sempre fui eclético e multifacetado em meus gostos e atividades. Fã é uma palavra que lembra fanático e isso tem uma conotação pejorativa pra mim. Isso pode decepcionar muita gente, mas não tenho nada a ver com ser um Tokufan, Roqueiro, Otaku, Trekker ou qualquer tribo de coisa alguma.
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Tokufriends – Qual a série que você mais gosta? Consegue eleger apenas uma?
NagadoO Regresso de Ultraman, sem dúvida. até hoje, é minha série japonesa favorita por vários fatores. Boas histórias, atores carismáticos, uma trilha sonora empolgante e personagens fortes. O tema de ação do G.A.M. até hoje é algo insuperável. também era uma série com momentos intensos, como a morte da namorada e do cunhado do herói em um episódio antológico, um alien disfarçado de garotinho sendo baleado no pescoço por um dos heróis, uma companhia de teatro morrendo vítima de gás venenoso enquanto ensaiava… coisas que hoje são impensáveis para uma história dita infantil. mas não era uma violência gratuita, havia um enredo e uma atmosfera que permitiam isso. havia muita ingenuidade, e ao mesmo tempo uma carga dramática que só poderia ser assimilada por um público um pouco mais velho.
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Tokufriends – Já fez aquelas coisas ditas “bobas” de imitar um herói na infância (mesmo que não seja de tokusatsu)? Qual foi?
NagadoAh, claro. Eu brincava de tudo e certamente brinquei bastante de Ultraman, Batman, mas não havia brinquedos ou itens de merchandising dos heróis japoneses. Isso ajudou a desenvolver meu desenho, pois eu ficava tentando desenhar o que eu via na TV. Mas no fundo, eu brincava mesmo era de jogar bola, empinar pipa, jogar bolinha de gude, taco, andar de bicicleta… tive uma infância bem televisiva, mas também brincava muito como qualquer criança deveria.
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Tokufriends – Você ficou marcado pela revista herói, por tudo o que escreveu, pela defesa ao tokusatsu no brasil quando nem eram mais transmitidas series na tv. Como foi sua chegada ao projeto?
Nagado
Resumidamente, eu colaborei pra revista set por conhecer um pouco de Ultraman e Godzilla. Depois, fui convidado pra escrever pra herói porque os sócios da editora ACME haviam me conhecido na set. Daí a carreira como redator se desenvolveu. Foi um período bem gratificante onde aprendi muito e firmei nome no mercado editorial como redator, mesmo não sendo jornalista. E eu demorei muito a usar a palavra “tokusatsu” em matérias. Foi mais pelo contato com amigos como o Ricardo Cruz, o Fabio Sakamoto e outros que comecei a usar o termo. Hoje em dia, tento manter algum interesse popular no assunto escrevendo sobre isso no omelete. Eu conto a história em detalhes no meu blog Sushi Pop: http://www.nagado.blogspot.com

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Tokufriends
– As pessoas te reconhecem na rua? Trocam idéias sobre o que você escrevia na época da herói?

NagadoNão, que nada! (risos) Nunca chegou a tanto, mas de vez em quando alguém me escreve comentando que lia a Herói. Em eventos, já aconteceu de virem falar comigo sobre a Herói, mas nada de muito espalhafatoso. Ultimamente, as gerações mais novas nem conhecem a revista original ou sabem do meu trabalho lá. Isso ficou no passado e a tendência é ser algo esquecido pelas pessoas, o que é absolutamente normal. E o retorno que tenho escrevendo para o omelete é até melhor, porque agora as pessoas podem escrever diretamente para mim. E no Omelete eu não estou restrito a “assuntos nipônicos”, escrevendo também sobre outros assuntos do meu interesse.
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Tokufriends – Você colaborou em outras revistas? Quais?
Nagado
Teve matérias aleatórias na SET(anterior à Herói), Mangá Mania, Street Fighter – Revista Oficial, Geração Teen, Heróis do Futuro, Matiné, Nintendo World, Pokémon Club, Henshin, Made in Japan e Animax Reloaded. Mas depois da Herói, a que mais marcou mesmo minha carreira foi a Henshin.
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Tokufriends – Você sempre gostou de desenhar certo? Blue Fighter certamente foi um dos melhores projetos a sair no brasil. Totalmente nacional e com inspiração tokusatsu. Pode contar aos leitores do site tokufriends a trama básica dele?
Nagado
Bem, o desenho é minha profissão, não apenas algo de que gosto. Antes de ser redator, quadrinhista, roteirista ou professor, eu sou um ilustrador, do tipo que desenha caricaturas, bonequinhos, story-board, um pouco de tudo. Acontece que com Blue Fighter eu iria, pela primeira vez, escrever e desenhar algo que eu havia criado dentro de um gênero que eu curtia. A história remete à Kamen Rider, no sentido de que o protagonista, Domon, foi capturado e transformado por uma organização secreta maligna em um super-soldado, voltando-se contra seus criadores e se tornando um herói. Mas ele não é exatamente colocado como um herói, mas como alguém tentando se manter vivo. Em momento algum se diz que ele luta pela justiça ou algo assim. Ele apenas quer sobreviver, o que não quer dizer que ele não seja altruísta e heróico. Também tem o seu toque de Metalder, porque a organização atua por trás de uma grande e poderosa empresa, a corporação Atlas. Ele é perseguido pelos monstros da corporação e até enfrenta um similar a ele, o Dark Hunter. Logo no começo, Domon salva uma garota andróide chamada Miri, que foi inspirada em Agnes, uma personagem que apareceu em um episódio do antigo animê O Menino Biônico (Jetter Mars). Há muitas referências espalhadas, mas a idéia geral que ficou é a de que era um fanfic de Kamen Rider. Blue Fighter até agradou alguns, mas a recepção no geral não foi muito favorável. E olha que me deixaram fazer isso três vezes! (risos)
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Tokufriends – Você conseguiu escrever a história como queria? O fato dele ter sido publicado em revistas de editoras diferentes atrapalhou seu projeto?
Nagado
Saiu como eu queria tanto na Escala como na trama, o que não quer dizer que saiu bom. Era bastante ingênuo e inconsistente, mas achei divertido na época. Em todas as ocasiões, os rumos das histórias sempre foram ditados por mim. A série da trama foi desenhada pelo Arthur Garcia, uma condição do então editor Marcelo Cassaro. O que não foi problema, pois já havia trabalhado com o Arthur em Changeman e, durante muito tempo, em Street Fighter. E ele é um grande amigo até hoje, pois estamos sempre nos falando..
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Tokufriends – Algum outro personagem que você gostaria de publicar ainda?
Nagado
Tenho uma personagem chamada Dani, que serve para histórias de cotidiano. A usei em três HQ’s, e a última é de 2003, no álbum Mangá Tropical. Tenho mais interesse criativo por escrever e desenhar pequenos dramas de cotidiano, mas não descarto um dia voltar a trabalhar com super-heróis ou quadrinhos de ação. Como sou um profissional, basta um bom convite. Mas nunca mais quis criar nada ligado a super-heróis de tipo algum.
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Tokufriends – Além de séries tokusatsu, você aprecia animes? Quais?
Nagado
Meu animê favorito é o Yamato (Patrulha Estelar), um clássico realmente emocionante e grandioso. Também posso citar Zillion, Speed Racer, A Princesa e o Cavaleiro e Sawamu – O Demolidor, todos clássicos que me marcaram e que até hoje reconheço terem histórias e personagens excelentes. As primeiras temporadas de Pokémon e Sailor Moon eu também gostei muito, bem como Street Fighter II-V e Samurai X. De material moderno, muito pouca coisa chamou minha atenção. Mas isso é questão de gosto pessoal. Assisti e resenhei os movies do Yu-Gi-Oh e Cowboy Bebop por incumbência do Omelete, mas não é algo que eu iria ver se não fossem as pré-estréias especiais para a imprensa. Achei o Bebop muito bom, mas não virei grande curtidor. Coisas como Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball Z, Yu Yu Hakushô e outros eu nunca gostei.
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Tokufriends – Como foi sua participação nas revistas Jaspion e Heróis da TV da antiga Abril Jovem além das publicações da Editora Brasil América (EBAL)?
Nagado
Foi um aprendizado profissional, pois eu tinha que criar histórias fechadas de 20 páginas em média, equilibrando ação e algum drama e humor. Tudo meio superficial e rápido, pra entreter mantendo as características dos personagens e seus seriados originais. Tinha que lidar com prazos, trabalhar em equipe e tentar fazer o melhor dentro de uma proposta não-autoral e totalmente comercial. Algumas histórias ficaram bem eficientes, mas o que marcou mesmo foi o aprendizado que veio dessa experiência. Tive sorte, mas também estava preparado para encarar o desafio. Eu conto sobre isso com mais detalhes em meu blog.
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Tokufriends – Hoje em dia você está escrevendo na internet. Em quais projetos participa e como é escrever neste veículo de comunicação?
Nagado
O legal de escrever pra internet é que não há a limitação de espaço que existe em revistas. Em revistas, acontece muito de se ter que cortar trechos, reescrever partes para que a matéria encaixe bem com as imagens. E geralmente é o editor quem faz isso. Em sites, mil caracteres a mais ou a menos não são um grande problema em uma matéria. Editores, mesmo em sites, acabam editando alguma coisa, mas não se chega a mutilar um texto como acontece em revistas. Além do Omelete, também escrevo ocasionalmente para o Bigorna.net, um projeto voltado aos quadrinhos nacionais. ah, sim, e tem o meu blog, claro, que atualizo eventualmente, postando sobre meu trabalho ou coisas que gosto. Mas eu prefiro, infinitamente, ler textos em livros ou revistas e estou sempre lendo alguma coisa.
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Tokufriends – Projetos futuros para materiais impressos ou mesmo internet?
Nagado
Tenho um projeto legal que não posso revelar ainda, mas tem a ver com tokusatsu e afins. Mas de certa forma tem a ver com tokusatsu e afins. mas os projetos que têm ocupado meu tempo são ligados à ilustração, publicidade ou revistas institucionais. Se pintar convite para escrever ou desenhar algo ligado a mangá, animê ou tokusatsu, claro que vou considerar, mas não é algo que eu vá atrás atualmente.
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Tokufriends – Qual sua opinião frente as adaptações americanas (vulgo Power Rangers)?
Nagado
Eu não gosto por princípio. Acho que essas adaptações surgiram por uma necessidade mercadológica dos empresários em adaptar um produto estrangeiro. Do que um grupo de heróis de uma mesma etnia (japoneses), optaram por um grupo multi-racial e “politicamente correto” aos padrões dos eua, o que acho uma grande bobagem. Nesse caso, o politicamente correto foi algo meio forçado, meio racista até. Afinal, do ponto de vista deles, a terra tem que ser salva por americanos. Descendentes de várias raças sim, mas todos cidadãos americanos. Mas a estratégia, do ponto de vista comercial, deu muito certo pois criou identificação com o público estadunidense. E o que faz sucesso lá sempre foi empurrado para cá. E as produções evoluíram muito, chegando ao mesmo nível ou melhor do que o que os japoneses produzem. Claro que com zero de originalidade, mas a evolução do “tokusatsu made in USA” é inegável. Ainda assim, não gosto e nunca acompanhei muito de perto.
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Tokufriends – Uma última mensagem para os tokufans?
Nagado
Colaborem uns com os outros para promover o tokusatsu, não deixem que o fanatismo os cegue e, acima de tudo, jamais tornem um hobby motivo para brigas, sejam elas virtuais ou reais. Tokusatsu é diversão e um dos pilares da cultura pop japonesa e deve ser valorizado como tal. Muito obrigado pela oportunidade e pela paciência com esta entrevista.
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Site Oficial: http://www.nagado.com
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